Empresa por empresa
A trajetória em ordem, com o contexto que o currículo não cabe.
GF Casa Decor
Fev/2018 - Mar/2019No ensino médio eu não me interessava muito pelos estudos, e por um tempo confundi isso com não gostar de estudar. Descobri que era o contrário na faculdade de Gestão Comercial: quando o assunto me interessava, eu aprendia rápido e me envolvia de verdade. Gostei da parte estratégica do curso, de logística a entendimento de cliente, e fui bem em provas, trabalhos e apresentações.
Foi ali que apareceu a oportunidade. Um colega de sala era dono da GF Casa Decor e me chamou para o time.
A GF era uma empresa muito pequena na época, três sócios, e eu fui um dos primeiros funcionários a chegar. Por ser pequena, eu fazia de tudo: atendimento ao cliente final, vendas e rotina administrativa.
Foi onde aprendi, na prática, como uma empresa funciona por dentro e o peso de ter responsabilidade. Saí com uma base de relacionamento e comunicação com o cliente que, anos depois, se mostrou tão importante quanto a parte técnica nas implantações.
Fiquei cerca de um ano e pouco. Saí quando passei no processo seletivo do Nubank. Eu era fã da empresa e queria entrar de qualquer forma, para qualquer vaga.
Nubank
Mai/2019 - Jul/2021Entrei pela porta que muita gente usou para construir carreira lá: Customer Experience. Fui bem nessa área e, num momento em que o time de fraude enfrentava uma onda grande de fraudes e precisava de gente com urgência, abriram uma seleção interna. Escolheram quem tinha as melhores notas no ciclo de performance para um teste de um mês na área antifraude.
Pela urgência, não foi uma seleção comum, foi aprender fazendo, um dia em cada frente. Para mim era praticamente uma promoção. Fui, gostei muito do trabalho e fiquei.
Comecei investigando casos de fraude no dia a dia: KYC, análise documental, monitoramento transacional e compliance, em escala. Tinha boa performance na resolução dos casos, e foi ali que tive meu primeiro contato sério com SQL e com análise de indicadores.
Meu primeiro projeto de verdade nasceu nesse período, o Apolo. Os times terceiros que faziam a triagem precisavam tirar dúvidas com a gente e não existia um canal próprio para isso. Inspirado numa iniciativa de outra área, montei do zero um sistema simples: um formulário que alimentava uma planilha bem estruturada, por onde a gente recebia e organizava as dúvidas. Foi resolvendo esse problema que descobri que gostava de trabalhar com dados e de construir ferramentas para destravar processos.
Fui promovido a analista II, passei a fazer o controle de qualidade das análises do time e a tocar os casos de fraude mais complexos. Também apoiei a implantação de um produto de reconhecimento facial, um modelo de IA rodando sobre a base do Nubank, validando se funcionava e se reconhecia as pessoas certas.
Houve um corte na minha área e eu acabei saindo. Foi difícil, porque eu gostava muito do Nubank.
AllowMe
Out/2022 - Abr/2024Entre o Nubank e a AllowMe houve um intervalo de cerca de quinze meses, e ele foi proposital. As vagas de analista antifraude que apareciam eram, naquele momento, um passo atrás para mim, em remuneração e no tipo de trabalho, então preferi esperar a vaga certa.
Usei o tempo para me preparar. Fiz cursos de SQL e de Python e construí, por conta própria, um projeto de análise de dados sobre o Corinthians, o time para o qual torço. Levei esse projeto para a entrevista da AllowMe, e ele ajudou a mostrar que eu já vinha com uma base técnica mais apurada. Foi assim que entrei.
Foi a minha entrada no Professional Services. Passei a implantar soluções de Identity & Fraud de ponta a ponta, lado a lado com os desenvolvedores dos clientes nas integrações de APIs REST e SDKs, conduzindo kickoffs técnicos e troubleshooting, do handoff comercial até a entrada em produção.
Foi uma transição sofrida, no bom sentido. Eu vinha da análise de fraude e, de uma vez, precisei aprender muita coisa nova: ler documentação de implementação, usar o Postman, entender de verdade o que é uma API e um SDK, e me integrar com times de produto e de engenharia com quem eu não trabalhava antes.
Foi também meu primeiro contato com cliente B2B, depois de uma carreira inteira em B2C. Tive que aprender a conduzir reuniões e a falar com perfis bem diferentes, do desenvolvedor de uma empresa pequena ao gerente de projeto de uma grande, ajustando o tom para cada um. O trabalho deixou de ser sequencial e operacional e passou a ser estratégico: eu pensava no fluxo inteiro do cliente, o que exigiu muito mais organização e disciplina para não perder nenhuma ponta entre vários projetos ao mesmo tempo.
Tive a sorte de encontrar gente muito boa e muito paciente, que me ajudou a fazer essa virada.
A AllowMe foi adquirida pela Serasa Experian, e eu fui junto. Como o meu trabalho seguia o mesmo, a saída não teve drama, foi mais uma continuação do que uma ruptura.
Serasa Experian
Jul/2024 - PresenteCheguei à Serasa pela aquisição da AllowMe, e dessa vez a transição foi tranquila, porque o trabalho continuava o mesmo. O que mudou foi a escala. Fui para um time bem maior e fui promovido rápido a sênior, uma promoção que já vinha sendo encaminhada na AllowMe. Lá eu era o menos sênior do grupo. Na Serasa passei a ser o sênior de referência, com vários plenos e juniors por perto.
Sou referência técnica de uma carteira de clientes durante toda a implantação, do kickoff técnico à entrada em produção. Conduzo cerca de 20 projetos simultâneos e reuniões técnicas em inglês com times nos Estados Unidos, Índia e China, e investigo bugs junto a produto e engenharia até a causa raiz.
Boa parte do meu tempo também é destravar gente, algo que eu já fazia lá no Nubank quando ia treinar os times de triagem. Quando chega um produto novo, costumo ser um dos primeiros a entendê-lo para depois treinar quem pede ajuda, de outros times inclusive. Apoio o time de Vendas explicando a parte técnica dos produtos, hoje com frequência em inglês, e dou bastante opinião nas discussões do time de produto.
O salto técnico foi grande. Na AllowMe o produto central era o Device Intelligence, a minha especialidade, e o Liveness era secundário. Na Serasa precisei aprender o portfólio inteiro e, ao mesmo tempo, ensinar os produtos que vinham da AllowMe para várias pessoas. Some a isso a rotina de uma aquisição, em que SDKs e APIs mudam para juntar o melhor das duas empresas, e adaptação a mudança virou parte do trabalho.
Foi nesse contexto que criei o Serasa Studio Identity & Fraud, a plataforma interna que centraliza testes, demonstrações e troubleshooting dos produtos antifraude, reconhecida pela diretoria e aprovada para publicação corporativa.
Como eu faço as coisas acontecerem
Conhecimento de domínio define o que vale a pena construir. IA define a velocidade com que isso vira realidade. Aqui explico como as duas coisas funcionam juntas no meu trabalho.
Tenho uma base técnica que construí ao longo dos anos: SQL, Python, JavaScript, React. Mais importante do que a lista de linguagens é o que essa base me dá: a capacidade de entender o problema antes de começar a construir, de conversar com engenharia de igual para igual e de saber o que é viável antes de propor qualquer coisa.
O conhecimento de domínio em Identity & Fraud é o que define o que vale a pena construir. A IA é o que torna possível construir. Quando as duas coisas se combinam, o resultado é uma ferramenta que resolve um problema real, não um exercício técnico.
O Serasa Studio é o exemplo mais completo. Eu sabia exatamente qual era o problema: conhecimento fragmentado, demos que dependiam de quem conhecia o Postman, troubleshooting sem ambiente centralizado. Sabia como devia funcionar, quais produtos precisavam estar lá, qual seria o fluxo de cada um. Com essa clareza, a IA me ajudou a transformar esse entendimento em código funcional, em React e Node.js, cobrindo onze produtos com chamadas reais.
O mesmo raciocínio se aplica a projetos menores. Tenho um hobby como DJ e uso Python para automatizar partes do processo: organizar arquivos, corrigir metadados, montar vídeos. Problemas menores, mesma lógica: partir de um problema concreto, saber o que a solução precisa fazer e usar IA para fazer acontecer.
A pergunta que me interessa não é quais linguagens eu domino, é quais problemas eu consigo resolver e com que velocidade. Com IA como acelerador, o gargalo deixou de ser a execução técnica e passou a ser a qualidade do entendimento do problema. É exatamente aí que seis anos em operação, implantação e contato direto com cliente fazem diferença.
Quero continuar nessa direção: usar IA para construir ferramentas cada vez mais úteis, dentro e fora do trabalho, partindo sempre de um problema real que eu entendo bem.
Tudo que eu domino
Em vez de uma lista, prefiro contar o que eu sei do jeito que uso no dia a dia.
Pego o cliente depois que o contrato é assinado. A partir daí, entendo o cenário dele antes de qualquer reunião técnica, conduzo o kickoff, fico do lado do desenvolvedor durante a integração e acompanho até a entrada em produção. Já fiz isso umas cinquenta vezes. Hoje toco cerca de vinte projetos ao mesmo tempo, em estágios completamente diferentes.
O que mais aprendi nesse formato é ajustar o tom conforme quem está na sala. Com um dev, eu debugo junto. Com um gerente de projeto de banco, eu traduzo.
Liveness, Biometria Facial, FaceMatch, Device Intelligence, Documentoscopia, Captura e OCR, Background Check, Fraud Score, Score Laranja, LVS e KYC. Conheço de verdade no sentido de ter integrado, treinado, apresentado em demo e investigado bug em cada um. Não só lido a documentação.
Antes de implantar soluções antifraude, eu as operava. KYC, análise documental, monitoramento de transações, controle de qualidade das análises do time. Isso foi no Nubank, em escala. Quando o cliente descreve um problema operacional, eu entendo o que ele está sentindo antes de ele terminar a frase. Essa experiência não tem substituto.
SQL e Python no dia a dia, para análise, automações e scripts. REST APIs, SDKs e Postman para integração e troubleshooting. React e Node.js para construir. Com IA como parceira de execução, o Serasa Studio é o exemplo maior do que consigo fazer com essa combinação.
Conduzo kickoff, troubleshooting e alinhamento de produto em inglês com times nos Estados Unidos, Índia e China.
Treinamento de equipe aparece desde o Nubank e eu carrego isso. Quando alguém de outro time precisa entender um produto porque os clientes deles vão começar a usar, esse conhecimento passa por mim. Gosto disso. Aprendo mais ensinando do que sendo ensinado. Tenho também bastante contato com o time de Vendas, explicando a parte técnica para clientes que ainda estão avaliando.